Lar Região Paul McCartney conta que dissensos com John Lennon geraram músicas icônicas

Paul McCartney conta que dissensos com John Lennon geraram músicas icônicas

por larissacasadob
0 comentários
paul-mccartney-conta-que-dissensos-com-john-lennon-geraram-musicas-iconicas

O cantor britânico Paul McCartney, 83, revelou que ele e seu falecido companheiro de banda, John Lennon, tinham abordagens radicalmente diferentes para criar música, e foi justamente essa diferença que alimentou a genialidade da dupla nos Beatles.

Em entrevista ao programa Sound Sources, da BBC Radio 3, o astro relembrou que sua curiosidade por novas técnicas sonoras o levou a experimentar com “loops de fita”, o que mais tarde influenciou diretamente trabalhos marcantes da banda de Liverpool.

“Comecei a pensar quando ouvi os loops de fita (usados para criar padrões musicais repetitivos e rítmicos): ‘Vou brincar com isso eu mesmo’. Então fiz isso com essas máquinas Brunel. Acabei comprando duas delas, o que me permitiu criar loops de fita, cortar um pedaço e juntá-lo, tipo usando um som de guitarra. Você faz ‘down, down, down, down, down’. E podia ir acrescentando. Na segunda vez, vinha bem certinho.”

McCartney acrescentou que nunca enxergou a música como trabalho. “As pessoas dizem: ‘Você trabalha demais com música’, eu respondo: ‘A gente não trabalha com música, a gente brinca com música’. A ideia para mim era só brincar nessas máquinas Brunel. Surgiu depois de ouvir Stockhausen [compositor alemão], de me inspirar nessa música e na ideia de experimentar por conta própria.”

O vencedor do Grammy explicou que esse espírito o levou a mostrar a técnica para Lennon. “Um dia estava mostrando isso para John e ele ficou fascinado. Eu disse: ‘Olha isso’. Porque a gente se instigava o tempo todo com as novidades. E ele falou: ‘Eu adoraria fazer isso’.”

McCartney então comprou duas máquinas para Lennon e o ensinou a fazer as montagens. Entretanto, apesar de usarem a mesma técnica, o resultado era bem diferente. McCartney preferia integrar experimentações sonoras dentro de estruturas mais tradicionais, enquanto Lennon abraçava o caos.

“A diferença entre mim e o John era que eu gostava de fazer de um jeito um pouco mais controlado, tipo em ‘Tomorrow Never Knows’. Eu gostava que aquilo funcionasse como um solo dentro da música. E ele criou uma faixa chamada ‘Revolution 9’. Nunca quis fazer um álbum só com essas ideias. Sempre quis colocá-las sobre uma base talvez mais musical, mais formal. E achava que esses elementos aparecendo ali era o som perfeito que eu queria ouvir.”

O artista acredita que esse tipo de experimentação pode causar surpresa, mas tem um poder estético forte. “Você não espera. Dá pra fazer algo aparentemente muito estranho com uma música e depois, ao ouvir, pensar ‘poxa, gostei disso’. É como arte abstrata… Nem tudo que a gente vê é claro ou figurativo. Às vezes, quando você está dormindo ou esfrega os olhos, vê algo abstrato. Sua mente entende isso. A gente conhece esse tipo de coisa. Então, com a música era igual.”

Postagens relacionadas

Quem Somos

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

Portal News Noticias @2025 – Todos direitos reservados.