O Grupo Bradesco Seguros S.A. aposta na ampliação do portfólio de produtos e na base de clientes para absorver possíveis impactos causados pela reforma tributária, proposta pelo Congresso, segundo o CFO do grupo, Vinicius Marinho.
Durante encontro com jornalistas na nova sede do grupo em São Paulo, na avenida Paulista, nesta quarta-feira (3), Marinho defendeu que as margens operadas pelo Bradesco Seguros são sustentáveis, e os portfólios se equilibram para ampliar a oferta de produtos “de forma a conquistar um retorno que faz sentido para nós”.
A reforma tributária envolve mudanças na taxação e nas regras para o setor de seguros — mudanças que afetam diretamente como a Bradesco Seguros calcula preços, cobra impostos, estrutura contratos e declara resultados.
Mesmo investindo na ampliação da gama de produtos oferecidos pelo grupo, o CFO sinaliza que há cuidado nesse movimento. “Somos muito comedidos na expansão para não entrar em rali de preços; o que vai ajudar é a tecnologia que entrega eficiência para ser mais assertivos nos canais, entender portfólios”, afirmou Marinho.
Com faturamento de R$ 90 bilhões e expansão acima de 4%, o Bradesco Seguros conta ainda com solvência, ressaltou o executivo, apoiado por um patrimônio líquido que supera R$ 45 bilhões, dos quais 22% dedicados ao setor de seguros.
Tecnologia e IA como eixo de eficiência
A transformação digital é tratada internamente como um dos pilares para manter competitividade sem recorrer a cortes artificiais de preço. O grupo investe R$ 1 bilhão por ano em tecnologia, com foco em automação, machine learning e no uso preditivo de dados.
Na operação, os efeitos já aparecem.
“IA melhora a capacidade de aceitar riscos antes mesmo de eles chegarem ao grupo, mitiga abusos e reduz fraudes. Vistorias digitais em automóveis aceleram processos e diminuem custos”, afirmou Marinho.
O presidente da Bradseg Participações, Ivan Luiz Gontijo Júnior, resume o efeito prático: “A IA desobstrui gargalos e torna o dia a dia operacional mais ágil — e, ao mesmo tempo, provoca novos negócios”. Segundo ele, o uso de análise preditiva, big data e serviços digitais deve se intensificar em 2026, acompanhando a própria maturidade do mercado.
No Bradesco Seguro Auto, o diretor-presidente Ney Ferraz Dias destaca a expansão do portfólio — de pneus e rodas a uso de pontos Livelo — e a ampliação da rede de prestadores exclusivos, que impulsionou a satisfação dos clientes. O segmento cresce há três anos acima de dois dígitos.
“Cada carteira dentro do automóvel tem uma pressão diferente. É um mercado cíclico, mas estamos observando estabilização”, disse.
Em saúde, a evolução ocorre sobre bases mais amplas. Segundo Carlos Alberto Iwata Marinelli, presidente da Bradesco Saúde, o mercado volta a acelerar puxado por PMEs e pela demanda por planos regionais.
“Crescemos em beneficiários, recuperamos rentabilidade e reduzimos sinistralidade. Lançamos quatro produtos no último semestre, inclusive com foco regional, como em Goiás”, afirmou. A Bradesco Saúde mira ampliar market share sobretudo na camada intermediária da pirâmide de renda.
Na capitalização, o presidente José Pires destaca o papel da empresa na educação financeira e a força dos canais digitais: “Quase um terço do faturamento já vem do digital”.
Em 2025, a companhia lançou mais de 14 produtos, muitos deles temáticos ou “white label”.
Para 2026, o grupo projeta crescimento alinhado à estimativa da CNseg — cerca de 8% — mas acredita ter espaço para desempenho acima da média, impulsionado pelo aumento da inclusão securitária e pelo avanço em PMEs.
Para Gontijo Júnior, o novo marco legal do setor consolida entendimentos que já vinham sendo adotados pelos tribunais superiores e fornecem mais segurança jurídica.
“A norma traz clareza de direitos e obrigações e pode reduzir o nível de judicialização. Mas as adaptações são específicas a cada ramo — saúde, vida, previdência e capitalização terão ajustes próprios.”