O cometa “visitante” 3I/ATLAS vem ganhando destaque na mídia nas últimas semanas por seu comportamento incomum. Além de chamar atenção dos cientistas, o corpo celeste tem sido alvo de especulações e até de teorias envolvendo alienígenas.
A curiosidade sobre este objeto vindo de fora do nosso Sistema Solar tem causado, inclusive, um aumento nas buscas sobre “cometa” no Google nos últimos dias, segundo dados do Google Trends.
O 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey System), localizado em Río Hurtado, no Chile.
Ele é apenas o terceiro corpo celeste de fora do nosso Sistema Solar já registrado passando por nossa vizinhança cósmica. Por isso se sabe tão pouco sobre ele e sobre suas origens.
Segundo a Nasa, não é preciso se preocupar, pois o cometa não representa nenhuma ameaça à Terra e permanecerá distante. O mais próximo que ele chegará do nosso planeta é cerca de 1,8 unidades astronômicas (cerca de 270 milhões de quilômetros).
Composição química
Um estudo baseado em observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelou alguns detalhes incomuns sobre o 3I/ATLAS, como uma coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo do cometa) dominada por dióxido de carbono (CO₂). Esta é uma concentração jamais vista em cometas.
Além disso, o 3I/ATLAS contém aproximadamente oito vezes mais dióxido de carbono do que água, o que ultrapassa em mais de seis vezes o limite de variação esperado.
Como o objeto está viajando a uma velocidade acima de 210 mil km/h, os pesquisadores estão em uma verdadeira corrida contra o tempo para extrair o máximo de informações sobre a composição química.
Além de confirmar a procedência extrassolar do 3I/ATLAS, o JWST estimou que o cometa possui um núcleo sólido entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, com uma atividade de emissão de água (OH) detectada a distâncias superiores a três unidades astronômicas do Sol (450 milhões de km).
Cometa mais antigo já visto
O 3I/ATLAS pode ser o cometa mais antigo já observado até hoje. Segundo um modelo computacional desenvolvido pela equipe que o descobriu, o visitante espacial teria mais de sete bilhões de anos, ou seja, mais velho que o Sistema Solar.